Ao analisar alguns jogos na última Olimpíada, realizada em Pequim, pensei um
pouco sobre os craques, sejam eles de qualquer modalidade: a alegria e a
motivação estampadas nos rostos ao subir no pódio; o cansaço físico arrebatado
pelo alívio da vitória. Vendo essas cenas, ocorreu-me transpor para o mundo
corporativo os exemplos de sucesso que nós, brasileiros, sempre tivemos no
esporte. Grandes talentos individuais saíram das terras do Brasil para encantar
o mundo: Ayrton Senna, Pelé, Oscar, Romário, Ronaldinho, Guga e outros.
Todos esses grandes brasileiros não alcançaram o topo sozinhos. Inicialmente,
tiveram que ser descobertos e incentivados a prosseguir em sua carreira por
alguém mais experiente e com visão de futuro. Certamente, houve no caminho deles
alguém que os orientassem e apontassem trilhas a seguir. Da mesma forma, em
nossa carreira, nós devemos nos cercar de pessoas mais experientes e
competentes, e nos aconselharmos com elas, aprender a seguir os bons exemplos.
Compartilhar o conhecimento é ponto fundamental da lei do "dar e receber",
imprescindível para quem almeja o sucesso. A liderança é outro ponto básico em
qualquer carreira que venhamos a abraçar. Quem já teve a sorte de encontrar um
verdadeiro "líder" em sua vida profissional sabe como ele é importante no
incremento da nossa auto-estima e motivação.
Um técnico no esporte, da mesma forma que o líder na empresa, deve se esmerar na
capacidade de entender e se relacionar com pessoas. Nos treinamentos diários em
cada clube, pequeno ou grande, aprimoram-se na arte de harmonizar talentos
individuais. Sua missão é obter o máximo de cada um, visando ao melhor resultado
para a equipe. Essa habilidade de construir uma equipe forte e coesa é mais
importante que montar uma boa estratégia de jogo. Se o time não caminhar junto,
não há como executar a mais incrível das táticas.
Mas, será mesmo que é fácil aplicar na prática o trabalho em times? Penso que
não seja tarefa das mais simples, pois onde há pessoas trabalhando juntas, não
se pode separar a razão da emoção. Mais complicado que um ser humano, só um
grupo deles reunido. Por isso, poucas são as empresas que conseguem transformar
esse ideal em realidade.
Cada pessoa tem os seus próprios objetivos, nível de maturidade e dificuldades
existenciais. Trazem para o relacionamento com o outro suas vaidades,
inseguranças, medos, crenças e escala de valores. Torna-se, então, muito difícil
compatibilizar isso tudo com a disposição para trabalhar com outras pessoas,
compartilhar conhecimentos, comprometer-se com metas e resultados.
Mas não é só o líder o responsável por essas pessoas. Todos nós devemos nos
esforçar por entender e ajudar esses colegas, trazendo-os para dentro do grupo,
e não os condenando ao isolamento. O gestor também deve saber administrar
conflitos e preservar as pessoas de sua equipe, jamais deixando que fiquem
expostas ou constrangidas na presença dos colegas.
Outro aspecto que devemos tomar do esporte é a comunicação eficaz. No time,
todos conhecem a estratégia traçada pelo técnico e sabem o que ele espera de
cada um. Os lances são previamente combinados e a bola vai passando de um para
outro, despistando o adversário, até se conseguir o suado ponto. Cada atleta já
tem uma senha ou sinal combinado para mostrar ao outro quem receberá a bola e
quem dará a cortada fatal.
O senso de cobertura e apoio é mais um que devemos aplicar na empresa. Quando um
colega estiver em dificuldade, devemos estar atentos para livrá-lo da marcação,
estando a postos para receber a bola ou assumirmos o seu lugar e não deixarmos a
empresa descoberta perante o cliente. Seja solidário. Assim ganham todos, e você
mais ainda, pois ganha o apoio de seus companheiros.
Não perca de vista também a humildade: marca dos grandes talentos do esporte.
Saiba aceitar ficar no banco, quando não estiver jogando tão bem. Deixe espaço
para seus colegas também brilharem. Não queira trazer para si todos os louros da
vitória. Mostre que está sempre aprendendo. Tenha sempre em mente que a
disciplina é necessária e também o aprimoramento constante. Como nos diz Oscar:
"não existe mão santa, existe é mão treinada".
Por último, não desista diante da primeira dificuldade. A superação é a ultima
das lições dos esportistas. Caminhe, persista, por mais que esteja difícil, não
desista nunca. Coloque seu coração e sua alma em tudo o que fizer. Una-se com
seus colegas, dêem as mãos e preparem o "show de bola" tal como nossos jogadores
no vestiário americano. Lá, eles conseguiram o que parecia impossível: a bola
chutada por Baggio ir para fora. Você também conseguirá. Acredite nisto.