Introdução
Com uma movimentação de cerca de R$ 4 bilhões diariamente e
quase 400 empresas inscritas, a Bovespa (Bolsa de Valores de
São Paulo) é o maior pólo do mercado de venda e compra de ações da América
Latina. Fundada ainda no século 19, a Bovespa tem passado por inúmeras
modificações ao longo dos anos e, por causa das instabilidades econômicas
históricas mundiais e do Brasil, passou por várias oscilações.
Esse vai-e-vem de capital especulativo, além de assustar o pequeno investidor,
sempre mexeu com várias outras áreas da economia como, por exemplo, as taxas de
câmbio. Nos últimos anos, no entanto, o pequeno investidor tem visto com bons
olhos o mercado de ações. Isso fica claro com o aumento do número de pessoas
físicas investindo na Bovespa. Em 2007, cerca de 20% dos negociadores tinham o
perfil de pequeno investidor. É um avanço: em 1989, esse investidor representava
apenas 3% do total de negociadores. Além disso, muita gente tem investido
indiretamente nas bolsas quando, por exemplo, coloca seu dinheiro em determinado
fundo de investimento oferecido pelos bancos de varejo ou contrata uma
previdência privada.
De qualquer modo, se você já é um desses investidores ou se interessa em ser, é
importante conhecer um pouco mais sobre a Bovespa, seus serviços e sua história.
O que é a Bovespa
A Bovespa é uma entidade sem fins lucrativos responsável
pela intermediação e negociação de ações de empresas brasileiras. Subordinada ao
Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários, a Bovespa tem como sócios as
corretoras de valores, que são suas cotistas.
São cerca de 100 corretoras de valores que intermediam as operações do
mercado. As corretoras podem ser regionais, nacionais ou internacionais. A
diferença, além da área de atuação de cada uma, é o número de títulos
patrimoniais da Bovespa que cada uma tem. A corretora internacional tem que ter
12 títulos, a nacional, 6; regional, três. Em 31 de dezembro de 2006, cada
título da Bovespa estava valendo R$ 1,2 milhões. O Conselho de Administração,
cujos membros são eleitos pelas corretoras, é quem escolhe as diretrizes da
instituição.
As principais funções da Bovespa são:
- Fazer o meio-de-campo entre as pessoas interessadas em
aplicar suas economias em ações e as empresas que precisam de recursos para
crescer.
- Proporcionar as condições necessárias de rapidez, transparência
e segurança para que as corretoras de valores possam intermediar as
negociações para seus clientes.
- Auxiliar na formação de preços, garantindo que os
negócios sejam realizados seguindo as regras e normas estabelecidas pela
CVM.
- Criar uma auto-regulação, oferecendo sistemas
operacionais tecnologicamente eficazes e economicamente transparentes ao
mercado.
- Educar pequenos e grandes investidores aos conceitos
sobre o mercado acionário para que os investidores conheçam a importância de
formar um patrimônio investindo em ações e mostrar os seus reflexos para o
desenvolvimento econômico do país
Rumo à abertura de capital
A Bovespa está se preparando para abrir seu capital,
ou seja, a própria instituição vai ter suas ações negociadas. Para isso,
a bolsa contratou uma empresa independente que prepara o seu IPO, oferta
inicial de ações.
O processo de desmutualização, transformação de uma instituição sem fins
lucrativos em uma empresa, foi anunciado em 2006. Para que isso ocorra,
a CVM deve aprovar os trâmites. É bem possível que algumas regras da
bolsa mudem com a nova proposta. A sugestão inicial da CVM é que haja
uma comissão de auto-regulamentação, que fiscalizaria o órgão,
independente do Conselho de Administração, que ficaria com as questões
administrativas e comerciais. Em 2006, a Bovespa gerou receitas
de R$ 310 milhões com suas operações, contabilizando um
superávit de R$ 199,7 milhões.
A Bovespa segue uma tendência de outras bolsas de valores internacionais
que já abriram seu capital como Frankfurt, Nasdaq (bolsa eletrônica de
Nova York), Hong Kong e Londres. |
História das bolsas de valores
Antes do século 15, a negociação de cotas de empresas e outros títulos era
feita na rua, de forma semelhante a qualquer mercado da Idade Média, com muita
gritaria e pouco conforto. Foi em Bruges, na Bélgica, que
surgiu a primeira sede de uma bolsa de valores do mundo em 1487. No decorrer dos
séculos, outras bolsas surgiram. Em 1690, é inaugurada a sede da Bolsa de
Londres. Em 1792, a Bolsa de Valores de Nova York se instala em Wall Street, rua
onde já se negociava títulos e outros papéis e acabou sendo imortalizada pela
associação à bolsa.
Em 1845, surge no Brasil a Bolsa de Valores do Rio de
Janeiro. A Bovespa surgiu logo após a proclamação da República, em
1890. Nessa época, as cotações eram registradas com giz em um quadro negro.
Hoje, ironicamente, os freqüentadores da bolsa chamam a época de Idade da Pedra.
Até 2000, o Brasil contou com várias bolsas de valores diferentes espalhadas
pelas principais capitais como Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre etc. Naquele
ano, todas as negociações feitas por essas bolsas foram unificadas em São Paulo.
As cotas de cada bolsa foi incorporada. Assim, a Bovespa tornou-se a
Bolsa do Brasil.
Agora, mesmo no século 21, aquela gritaria de mercado da Idade Média
continuou no Brasil por alguns anos. Eram comuns imagens de corretores gritando
e correndo através de um bom negócio. Esse pregão presencial acabou em
30 de setembro de 2005, quando começou a ser usado o sistema
Mega Bolsa, que hoje é adotado pela grande maioria das bolsas de
valores no mundo. Esse investimento de Tecnologia da Informação ajudou a
agilizar, e muito, as negociações na Bolsa. Para se ter uma idéia, cada ordem de
compra ou venda dura menos de um segundo (a média é 0,62 segundo) para ser
finalizada. Aumento de velocidade gera aumento de negociações. Na época do
pregão presencial, eram feitas cerca de 1.200 operações comerciais por dia.
Hoje, a média é de 150 mil operações por pregão.
Mas a tecnologia não é a única razão para o aumento das operações. A
estabilidade da economia brasileira, que já passou por várias recessões, também
contribui para o bom desempenho nos últimos anos. As instabilidades políticas
que, antes afetavam e muito o mercado acionário brasileiro, já não assustam
tanto. A simples ameaça do então temido Luiz Inácio Lula da Silva ganhar a
eleição para presidente fazia as ações caírem. Parte da explicação para esse
insegurança era a excessiva quantidade de capital especulativo estrangeiro
rodando na Bolsa. Um dos piores resultados da Bolsa nos últimos anos foi em
1998, quando Lula era candidato que acabou perdendo para o então presidente
Fernando Henrique Cardoso e havia uma crise mundial no mercado financeiro como
um todo que provocou a evasão dos investimentos estrangeiros na Bolsa. De 1997
para 1998, a queda do índice Bovespa foi de mais de 30%.
Apesar de menos intensas, as turbulências na Bovespa ainda acontecem,
exatamente, por causa dos investidores estrangeiros que, no início de 2007,
representavam cerca de 35% dos negócios feitos na instituição. Outros 35% ficam
com os fundos de investimentos.
Mas afinal o que é o iBovespa?
O
que é o índice Bovespa
O índice Bovespa é um índice criado
em 1968 para medir a “temperatura” das negociações da Bolsa de Valores
de São Paulo. Ele expressa as variações de preço das ações das
principais 59 empresas abertas na Bovespa e que representam cerca de 80%
do montante negociado diariamente na instituição. O valor base do
IBovespa é 100 pontos em 02 de janeiro de 1968. A sua base continua a
mesma até hoje . |
Como investir na bolsa
Os especialistas são quase unânimes nessa dica: investir em ações é uma
poupança para o médio e longo prazo. No
economês - a língua dos economistas - , médio prazo é entre três e cinco anos;
longo prazo é dez anos ou mais. Mas por que é melhor para esses prazos?
Primeiro, é só ver a evolução do índice Bovespa nos últimos anos, conforme a
tabela, para perceber. Quanto mais tempo, mais rendimento.
Além disso, a bolsa apresenta riscos e oscilações das mais variadas. E se você
precisar do dinheiro que investiu em ações poucos meses depois, pode correr o
risco de ficar com menos do que depositou ou ter um rendimento menor que em
outros investimentos.
Além disso, o dinheiro aplicado em ações recebe dividendos, que
são a divisão do lucro da empresa. Esses dividendos são pagos aos acionistas de
tempos em tempos. E a freqüência varia de empresa para empresa. Há quem pague
anualmente, outras, semestralmente e quem atualize os dividendos por trimestre.
Mas você deve estar se perguntando. E como é que eu faço para comprar uma ação?
Tenho que ir lá na Bovespa? Bom, em primeiro lugar, ninguém compra uma ação na
boca do caixa. Para poder investir na bolsa, é preciso escolher uma das
corretoras filiadas à Bovespa. Seus contatos estão disponíveis no site da
instituição. Ao escolher uma corretora, você terá informações das mais variadas
sobre o mercado. Essas empresas têm analistas próprios que poderão te dar dicas
importantes de como, quando e onde investir. É importante, no entanto, saber
quais as taxas que são cobradas pela corretora.
Sendo um pequeno investidor, é importante negociar com a corretora. O comum é a
corretora cobrar taxas por cada operação de compra e venda.
Mas quanto vale uma ação? Essa pergunta vai variar muito. Uma ação pode valer R$
35 ou R$ 150. Acontece que é muito raro, uma pessoa comprar só uma ação.
Primeiro, porque elas normalmente são negociadas em lotes de 100 papéis. Aí
entra novamente a corretora para ajudar o pequeno investidor. Nem sempre, o
pequeno investidor tem dinheiro para comprar 100 ações. Assim, a corretora pode
oferecer parte desse lote, por exemplo, 25 ações para você investir e ainda
mesclar com mais 25 ações de outra empresa para amenizar os riscos. Aliás, essa
é outra dica comum dos especialistas: pulverizar os investimentos para minimizar
os riscos.
Além disso, a Bovespa tem outras opções para quem deseja investir não só pela
cabeça dos corretores, mas por si próprio.
Formas da pessoa física investir na bolsa
Clube de investimento
Outra opção para o pequeno investidor é o clube
de investimento. Trata-se da reunião de um grupo de, no
mínimo, três pessoas interessadas em investir em ações,
mas com capital reduzido. O clube pode ser feito com seus
familiares, colegas de trabalho, amigos etc. A corretora
continua sendo sua intermediária, mas o clube de investidor deve
ter um ou mais administrador. Essa pessoa vai assumir as
decisões de como, quando e onde aplicar os recursos coletivos.
Movimentação online
Se você quiser se aventurar a aplicar por sua
conta e risco, controlando todos os passos do seu dinheiro, e
assumindo as responsabilidades sobre isso, a Bovespa dá a
oportunidade de você comprar e vender ações online, assim como
outras bolsas internacionais já fazem. Para isso é necessário,
mais uma vez, procurar uma corretora que vai cadastrá-lo no
sistema homebroker.
Pop
É um produto novo lançado pela Bolsa que é
interessante para quem começa a investir no mercado de ações. É
uma aplicação para o mercado de opções na qual é possível
definir uma parcela do investimento a ser
protegida. Assim, depois do prazo determinado
pelo investidor (seis meses por exemplo), ele poderá resgatar o
valor protegido e o lucro sobre essa ação, se houver. No caso de
queda no valor das ações, o investidor receberá apenas a
porcentagem que foi protegida. A proteção varia entre 70% a 80%.
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Eu só vou ganhar ?
Voltando às dicas dos especialistas que dão conselhos aos pequenos investidores,
é importante saber: quanto maior a rentabilidade e liquidez, maior o
risco. Assim, um investimento que pode render de 97% em apenas um ano,
corre o risco de cair -35% em outro. Faz parte do jogo.
Mas você, pequeno investidor, não deve se assustar muito com essas oscilações. A
Bovespa tem mecanismos de segurança para evitar uma catástrofe como o famoso
crash da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929. Assim, se o índice Bovespa cair
10% durante um pregão, existe o circuit break. É um
sistema que pára as negociações automaticamente durante meia hora. Se depois da
parada, o índice continuar a cair e chegar a 15%, haverá um novo break, agora de
uma hora. Mas os velhos investidores da Bovespa não lembram de um dia em que o
circuit break foi usado.
Assim como há a proteção para baixo, há também o inverso. Se uma ação receber
uma oferta 3% maior que o valor dela na última operação, o sistema entende que
pode haver manipulação de preço pelos especuladores e acaba abrindo para
leilão as ações com o valor mínimo negociado anteriormente.