Investimentos / Fundos - Fuja de impostos e taxas.
A cada ano, o brasileiro tem que trabalhar 145 dias somente para pagar
tributos que incidem sobre sua renda, patrimônio e consumo, segundo dados do
Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Entretanto, há
estratégias que o contribuinte pode adotar para reduzir ou ficar isento de
impostos e taxas, principalmente em operações bancárias e aplicações
financeiras. O POVO traz dicas de como não perder dinheiro com a Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), Imposto de Renda (IR) e Imposto
sobre Operação Financeira (IOF).
O economista e consultor financeiro José Maria Porto explica que o IOF pode
corroer os rendimentos e até dar prejuízo para quem efetua resgates de
aplicações financeiras de renda fixa com menos de 30 dias. Segundo ele, se o
investidor aplicar um dinheiro e resgatá-lo no dia seguinte, a alíquota do IOF
que irá incidir sobre a rentabilidade será de 96%, em 15 dias a mesma cai para
50% até zerar a partir do 30º dia. “Por isso, o contribuinte deve evitar essas
aplicações de curtíssimo prazo”, completa o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do
Amaral.
De acordo com Luiz do Amaral, sacando o dinheiro de investimentos (de renda
fixa) com menos de 30 dias, o contribuinte vai acabar recebendo menos do que
aplicou, em virtude do IOF, da CPMF (cuja alíquota é de 0,38%) e do IR.
Com relação ao IR, o presidente do IBPT lembra que o contribuinte precisa tentar
se beneficiar da tabela regressiva do imposto que incide sobre o rendimento das
aplicações. José Maria Porto explica que os fundos de investimento classificados
como de longo prazo, ou seja, cuja carteira de títulos tem prazo médio de
vencimento superior a 365 dias, dão possibilidade ao investidor de um pagamento
menor de IR, desde que se deixe o dinheiro mais tempo aplicado. Em saques de até
180 dias, a alíquota do IR será de 22,5% sobre o rendimento, depois cai para 20%
em resgates entre 181 e 360 dias, 17,5% se o saque for feito entre 361 e 720
dias e para 15% em resgates nos prazos superiores a 720 dias.
Por outro lado, como explica Porto, os fundos classificados como de curto prazo,
com vencimento médio dos papéis igual ou inferior a 365 dias, não têm o mesmo
benefício do IR, existindo apenas duas alíquotas: de 22,5% (resgates de até 180
dias) e de 20% (a partir de 181 dias).
José Maria explica que, com relação à tributação do IR, o investimento em ações
possui seus atrativos. Os fundos de renda variável (de ações), independente do
prazo do resgate, possuem alíquota do IR de 15% sobre a rentabilidade. O mesmo
percentual incide nas realizações de venda de diretas de ações (via corretoras).
“Mas existe ainda mais um benefício, quando a venda das ações (de forma direta -
via corretora) for de até R$ 20 mil, o contribuinte é isento do IR”, acrescenta
Porto.
Para quem tem pouco dinheiro disponível, a melhor alternativa para fugir dos
impostos, na opinião dos especialistas, é a poupança. Isso porque a caderneta de
poupança é isenta de IR e IOF. Assim como de CPMF, desde que o resgate do
dinheiro ocorra após 90 dias após o início da aplicação.
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