Pesquisa revela que, cortando gastos e fazendo
investimentos, qualquer pessoa pode ficar rica a longo prazo
A maioria das pessoas que pesquisa preço e economiza centavos é vista de maneira
depreciativa e chamada de mão-de-vaca, muquirana ou avarento. Mas, segundo, uma
pesquisa realizada pela consultoria financeira Finita, do Rio de Janeiro, essas
são as pessoas que estão mais próximas de se tornarem milionárias no futuro.
O estudo, que foi feito com base nas despesas de uma família hipotética, afirma
que uma pessoa pode acumular o primeiro milhão cortando gastos desnecessários e
contando com o efeito multiplicador das pequenas economias. Ficou comprovado
que, guardando de R$ 25,00 a R$ 30,00 por dia ao longo de 40 anos, é possível
formar por conta própria uma poupança de R$ 3,9 milhões. A taxa de juros real
utilizada para o cálculo foi de 0,7% ao mês.
O consultor financeiro Elchanan Epalatnik, um dos responsáveis pela pesquisa,
falou que são várias as áreas que a pessoa pode economizar para se tornar uma
milionária. Um dos exemplos é optar pelo uso do telefone nos horários mais
baratos. Considerando que a pessoa consiga uma economia de R$ 50,00 por mês, em
40 anos a quantia chega a R$ 136 mil. Pesquisando bem as compras no supermercado
a pessoa pode conseguir uma economia de R$ 70,00 por mês, resultando quase R$
275 mil em 40 anos. Esta quantia pode até não parecer expressiva se for contado
o esforço para economizar e o tempo necessário, diz Epalatnik, mas somada com
outras economias como a compra de um pãozinho na padaria com o preço mais em
conta e evitar as refeições fora de casa, o valor total sobe significativamente.
Outra dica para quem quer se tornar um bom poupador é evitar as compras em
épocas específicas, como Dia das Mães, Páscoa e Natal. O mercado aproveita essas
datas para supervalorizar os produtos. "Já que todos os anos vamos dar presentes
nesses dias, podemos nos programar para não gastar muito. Comprar os presentes
fora de época, em liquidações é uma boa saída. Você compra um produto bom por um
preço acessível", falou o consultor. Desta forma o consumidor pode poupar R$
60,00 por mês, ou seja, R$ 748 por ano.
O retorno milionário só é visto a longo prazo, o que desanima muitos
investidores. O analista financeiro do Inepad (Instituto de Ensino e Pesquisa em
Administração) de Ribeirão Preto Marcel Artoni de Marco afirma que a tentação
para cair no consumismo aumenta proporcionalmente as cifras da conta bancária.
"As pessoas guardam dinheiro, investem e quando conseguem uma quantia
significativa gastam comprando um carro novo ou com uma viagem de férias. São
poucos os que resistem às ofertas do mercado e mantêm a disciplina de poupar".
É o caso da vendedora Vanessa Manha, de 27 anos. Ela já fez uma poupança, mas o
dinheiro ficou no banco pouco tempo. "Não resisti e usei. Se gosto de uma coisa
não importa o preço ou se estou sem dinheiro, compro mesmo. Não penso mais em
acumular para o futuro".
O ideal, segundo Marco, é ter um equilíbrio entre o consumo e a economia. "Os
gastos também são importantes. Nada em excesso é positivo."
Poupador deve fazer investimento
Para conseguir juntar uma boa quantia para o futuro, apenas controle de gastos e
boa vontade não bastam. O milionário em potencial deve saber gerenciar suas
economias de forma correta. Elchanan Epalatnik, consultor financeiro, falou da
importância de se investir o dinheiro em aplicações. "O dinheiro bem aplicado
pode render bem ao poupador. Os juros sobre juros podem surpreender de forma
positiva a longo prazo."
O analista financeiro Marcel Artoni de Marco afirma que o mercado oferece
inúmeras opções que se adequam ao perfil de cada investidor. Para os que são
mais ousados, a indicação é aplicar na Bolsa de Valores. Os riscos são grandes,
mas o retorno é maior e mais rápido. Para os que preferem não ter grandes
surpresas no campo financeiro, a poupança é a aplicação mais procurada. A
rentabilidade é mais baixa, cerca de 6% ao ano, porém garantida pelo governo.
Saber fugir dos financiamentos é outro fator precioso para quem quer uma
poupança polpuda. "Neste caso os juros, que são muito altos, trabalham contra a
pessoa. Quem não tem paciência para esperar o momento certo para comprar um bem
pode pagar muito caro. Mesmo quando as lojas dizem que não há acréscimos, os
juros já estão embutidos no preço", falou Epalatnik.(Gazeta de Ribeirão)
Investidor começa cedo
A preocupação com a educação financeira é coisa que se aprende desde cedo. Pelo
menos é assim que pensa o pai de João Paulo Tribgt Penteado. O rapaz, de 21
anos, não teve tempo para gastar nem a primeira mesada. "Não lembro exatamente
quantos anos tinha, mas era bem novinho. Sei que no mesmo dia que eu ganhei o
dinheiro, já abri a minha poupança." Hoje, o rapaz agradece a iniciativa do pai.
"Desde menino já sabia dar valor ao dinheiro e da importância de guardá-lo.
Desta forma, você cria uma rotina de economizar e não se sente privado das
coisas boas da vida. Você apenas está evitando o excesso."
Os ensinamentos do pai sobre economia foram tão influentes que o rapaz tomou
gosto pela coisa. Antes de qualquer compra, uma extensa pesquisa de preços e
comparação de serviços oferecidos é feita. O cartão de crédito foi abolido por
opção. "Se não tenho dinheiro não vou gastar. Aliás, é preciso sempre gastar
menos do que se ganha."
Penteado cursa Administração de Empresas na FEA (Faculdade de Economia e
Administração) da USP de Ribeirão. Na renovação da grade curricular, ele sugeriu
aos professores que incluíssem a disciplina Finanças Pessoais. "Quase tudo o que
eu sei sobre finanças não aprendi na faculdade, mas por conta própria. Saber
gerenciar o próprio dinheiro é um quesito fundamental para um bom
administrador."
Da poupança o rapaz evoluiu para aplicações mais arriscadas. Como um bom
investidor ele não revela a quantia que já tem guardada, mas todo o salário é
aplicado em ações na Bolsa de Valores. "Você tem que analisar qual investimento
vale mais a pena e qual a rentabilidade.”